Todas as nove obras da lista de leituras obrigatórias da Fuvest para o vestibular 2027 foram escritas por mulheres. A escolha vale para os vestibulares de 2026 a 2028 e, segundo a organização, busca valorizar as mulheres como autoras, e não apenas como personagens da literatura.
São obras escritas em língua portuguesa e vão de um ensaio em defesa da educação feminina a poemas e romances sobre memória, política e herança colonial, do Brasil, de Portugal e de Moçambique. A partir do vestibular 2029, autores homens voltam à lista. Veja a seguir do que trata cada título, encontre opções para compra dos livros e organize sua leitura.
1. Opúsculo humanitário, de Nísia Floresta
Ensaio publicado em jornais e depois reunido em livro, em que a autora defende a educação das mulheres como caminho para a emancipação. O texto também discute a escravidão e a situação dos povos indígenas no Brasil do século XIX.
2. Nebulosas, de Narcisa Amália
Coletânea de 44 poemas que mistura lirismo romântico, cenas do cotidiano e temas sociais, como a crítica à escravidão. Foi o único livro publicado pela autora, que também atuou como jornalista e tradutora.
3. Memórias de Martha, de Júlia Lopes de Almeida
Romance memorialista em primeira pessoa, em que Martha conta os momentos marcantes da própria vida, da infância à vida adulta. A narrativa questiona o casamento e os papéis impostos às mulheres no fim do século XIX.
4. Caminho de pedras, de Rachel de Queiroz
Romance sobre Noemi, que vive a tensão entre a militância comunista e as exigências do amor e da maternidade. Uma das obras mais políticas da autora, trata de mulheres que questionam seu lugar em uma sociedade em transição.
5. A paixão segundo G. H., de Clarice Lispector
Depois de dispensar a empregada, uma mulher conhecida só pelas iniciais G. H. fica sozinha no apartamento e tem um encontro com uma barata que desencadeia uma experiência existencial. O romance é um monólogo interior sobre identidade e linguagem.
6. Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro de poemas da autora portuguesa em que a paisagem, com mar, céu e vento, serve de metáfora para uma busca existencial. A linguagem é clara, concisa e musical, e a escrita dialoga com o contexto político do Portugal salazarista.
7. Balada de amor ao vento, de Paulina Chiziane
Sarnau, mulher de uma aldeia de Moçambique, recorda a juventude, o grande amor e as desilusões que ele trouxe. O romance trata de poligamia e violência doméstica, além da pressão pela maternidade, sob a perspectiva feminina.
8. Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo
Narrativa polifônica sobre a trajetória de Fio Jasmim e das mulheres que têm papel central na história. Entre amores e conflitos pessoais, a obra discute racismo e machismo e aposta na escrevivência, conceito da autora.
9. A visão das plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida
O capitão Celestino, ex-comandante de navio negreiro, volta à cidade natal e passa os dias cuidando de um jardim. A obra, de linguagem lírica, contrasta a beleza da forma com a violência colonial que o personagem carrega.