O vestibular 2028 da Fuvest é o último dos três em que todas as obras da lista de leituras obrigatórias são de autoras mulheres. A lista é quase igual à de 2027, com mudança em apenas duas obras.
A escolha, segundo a organização do vestibular, busca valorizar as mulheres como autoras, e não apenas como personagens da literatura. A lista reúne desde escritoras do século XIX até vozes contemporâneas do Brasil, de Portugal e de Moçambique. Veja a seguir do que trata cada título, encontre opções para compra dos livros e organize sua leitura.
1. Conselhos à minha filha, de Nísia Floresta
Carta de uma mãe à filha de doze anos sobre educação, virtude e escolhas de vida. Parece manual de conduta, mas funciona como manifesto: defende a emancipação feminina e alerta contra falsas relações, no Brasil oitocentista.
2. Nebulosas, de Narcisa Amália
Livro de poemas escrito por uma autora de vinte anos e dividido em três partes. Vai da natureza e da nostalgia da infância a versos abolicionistas e republicanos, que lhe renderam o apelido de poeta dos livres.
3. Memórias de Martha, de Júlia Lopes de Almeida
Romance de memórias narrado em primeira pessoa por uma mulher criada sem pai em um cortiço do Rio de Janeiro imperial. A mãe sustenta a casa como lavadeira, e a educação feminina é um dos temas centrais.
4. João Miguel, de Rachel de Queiroz
Segundo romance da autora, ligado ao Romance de 30. Um homem comete um assassinato em momento de embriaguez, é preso e, na cela, passa por um longo período de isolamento em que reflete sobre o crime e a culpa.
5. A paixão segundo G. H., de Clarice Lispector
Depois de dispensar a empregada, uma mulher conhecida só pelas iniciais encontra uma barata no quarto vazio. O encontro desencadeia um monólogo interior sobre identidade, linguagem e os limites do humano.
6. Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro de poemas em sete seções, entre o mar, a vida íntima e uma viagem ao Brasil. Escrito sob o Estado Novo português, tem linguagem clara e imagens concretas, com versos sobre Brasília e Manuel Bandeira.
7. Balada de amor ao vento, de Paulina Chiziane
Sarnau ama um jovem de formação religiosa e acaba casada com um herdeiro real, dividindo o marido com outras mulheres. O romance, de tom poético, passa-se no sul de Moçambique e trata de poligamia e patriarcado.
8. Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo
Romance coral em que uma narradora reúne os relatos das mulheres que cruzaram a vida de Fio Jasmim, ferroviário negro. Trata de masculinidade, paternidade e racismo, a partir do conceito de escrevivência.
9. A visão das plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida
Novela sobre um velho capitão de navio negreiro que volta à casa da infância, em Portugal, e passa os dias no jardim. Trata de culpa, impunidade e esquecimento colonial, e dialoga com Os pescadores, de Raul Brandão.
A partir da lista de 2029, autores homens voltam a figurar entre as leituras obrigatórias da Fuvest, com a inclusão de Dom Casmurro, de Machado de Assis, Incidente em Antares, de Érico Veríssimo, e Nós matamos o cão tinhoso!, de Luís Bernardo Honwana.